sábado, 16 de junho de 2012

"Foi nesta dança de bailarina que fui, que aprendi a sonhar e a voar junto às gaivotas na praia"

Isabel Cabral

domingo, 20 de maio de 2012

BOLAS DE SABÃO

Em bolhas coloridas
feitas de sabão
com meus olhos de menina
nelas entrei
eram cores de arco-íris
nelas me deixei ir
e vi coisas incríveis
coisas nunca vistas.

Nos campos vi flores
no mar sereias
encantadas
no ar as gaivotas
que já não eram brancas
vestiram-se de cores fantásticas
então binquei, brinquei
até me cansar
da terra, mergulhei no mar
e nadei com os golginhos
e voei pelo ar
e quis tornar esse momento
infindável
só por ter entrado
numa simples bolha de sabão
que voava, e me levava
com ela
para sítios
onde a magia acontecia.

Isabel Cabral
inédito 20-05-2012

domingo, 6 de maio de 2012

ESTRELA

"Se tu amas uma flor que se acha uma estrela,é bom,de noite,olhar o céu.Todas as estrelas estarão floridas"

Saint Exupéry

sexta-feira, 27 de abril de 2012

PLANETA AZUL

No planeta azul
todos temos
que dar as mãos
como se ele fosse uma criança
mimá-lo, acariciá-lo,
protegê-lo,
onde vivamos todos melhor
onde todos tenhamos um lugar,
onde todos tenhamos  direitos
onde todos somos irmãos,
eu quero ser tua irmã,
ao teu lado poder sorrir
fazer para ti uma canção,
que nos encha o coração
no mar poder nadar
no ar poder voar
o ar puro respirar
e as flores poder cheirar
não mais te prejudicar
e, no transparente
de uma lágrima que corre
na lânguida face
ver o sol abraçar a lua
o som das palavras no coração 
ecoar,
porque eu sou tua irmã
porque tu és meu irmão
vamos os dois lutar,
e o planeta poderá assim
continuar para sempre a viver.

Isabel Cabral

quarta-feira, 25 de abril de 2012




"QUEM MORRE PELO PROGRESSO DOS CONHECIMENTOS OU PELA CURA DE DOENÇAS SERVE A VIDA MESMO COM A SUA MORTE"

(Saint-Exupéry, Terra dos Homens)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

MALMEQUER



Num malmequer
plantado,
no jardim do coração
enchi minha mão
fina e delicada,
do pólen encantado
que foi lançado de novo
na terra mãe
para de novo enraizar
bem lá no fundo chão,
e na Primavera
vindoura,
outros malmequeres
desabrocharam
e a terra embelezaram
porque semente deitada
de novo à terra
rebentos deram.

Isabel Cabral

sábado, 3 de março de 2012

PÁGINA EM BANCO



“UMA PÁGINA EM BRANCO”

O começo de uma página em branco, em branco porque não sei o que escrever, não pode ser preenchida, porque ainda não descobri o que deverei escrever, são lacunas da vida, não têm  significado, ainda não foram decifradas.

Não são explícitas, onde estou é impossível explicar certas coisas, não sei, não consigo explicar, esta página em branco. Acabei de ler esta frase talvez nela esteja alguma resposta a esta página em branco.
“Para que possa surgir o possível é preciso tentar várias vezes o impossível"
                                 (Nuno westwood)

 mas será que consigo perceber o impossível, para chegar ao possível?
Talvez esteja aqui a resposta à minha página em branco. Mas é supostamente nesta página em branco que provavelmente digo muita coisa, compreensível para algumas cabeças, cabeças mais abertas, porque o branco é transparente, o branco diz tudo, uma rosa branca, uma folha de papel branco, uma nuvem, a espuma de uma onda, tudo em branco se percebe.

Quando sou consiza, quando falo de sorrisos, de afetos toda a gente entende, estou feliz, não há de facto nada para explicar, sou explícita, frontal, sou tão previsível, tão transparente, tão sensível, que até eu tenho pavor disso, mas existem coisas complexas, sem respostas, ou então eu ainda  não as encontrei. A única coisa que sei, de que tenho a certeza é que dói, dói muito e eu não queria que doesse, porque no fundo, no fundo sou assim transparente como a água do riacho, como a lágrima que se solta num momento de tristeza, ou felicidade, uma gota de àgua da chuva, sempre soube estender a mão, sempre soube dar o tal abraço, e esta página em branco vai seguindo o seu caminho sem explicação, porque ela é branca não se vê, só se sente, está dentro de nós.
Ela é o rio que corre no seu leito, ela é a lágrima que corre pela cara de alguém, ela é a chuva que cai de mansinho na janela do meu quarto, e através dela eu vejo tudo, tudo passa a ser claro, porque também ela é transparente, e então a página em branco já não é branca encheu-se de letras, de palavras, e disseram alguma coisa, já não são incompreensíveis, disseram algo e esse algo é tão igual a mim como a página em branco, como a sua transparência, e nessa transparência eu me revelei.

Isabel Cabral