No planeta azul
todos temos
que dar as mãos
como se ele fosse uma criança
mimá-lo, acariciá-lo,
protegê-lo,
onde vivamos todos melhor
onde todos tenhamos um lugar,
onde todos tenhamos direitos
onde todos somos irmãos,
eu quero ser tua irmã,
ao teu lado poder sorrir
fazer para ti uma canção,
que nos encha o coração
no mar poder nadar
no ar poder voar
o ar puro respirar
e as flores poder cheirar
não mais te prejudicar
e, no transparente
de uma lágrima que corre
na lânguida face
ver o sol abraçar a lua
o som das palavras no coração
ecoar,
porque eu sou tua irmã
porque tu és meu irmão
vamos os dois lutar,
e o planeta poderá assim
continuar para sempre a viver.
Isabel Cabral
sexta-feira, 27 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
MALMEQUER
Num malmequer
plantado,
no jardim do coração
enchi minha mão
fina e delicada,
do pólen encantado
que foi lançado de novo
na terra mãe
para de novo enraizar
bem lá no fundo chão,
e na Primavera
vindoura,
outros malmequeres
desabrocharam
e a terra embelezaram
porque semente deitada
de novo à terra
rebentos deram.
Isabel Cabral
sábado, 3 de março de 2012
PÁGINA EM BANCO
“UMA PÁGINA EM BRANCO”
O começo de uma página em branco, em branco porque não sei o
que escrever, não pode ser preenchida, porque ainda não descobri o que deverei escrever,
são lacunas da vida, não têm significado, ainda não foram decifradas.
Não são explícitas, onde estou é impossível explicar certas
coisas, não sei, não consigo explicar, esta página em branco. Acabei de ler esta frase talvez nela esteja alguma resposta a esta página em branco.
“Para
que possa surgir o possível é preciso tentar várias vezes o impossível"
(Nuno westwood)
(Nuno westwood)
mas será que consigo perceber o impossível, para chegar ao possível?
Talvez
esteja aqui a resposta à minha página em branco. Mas é supostamente nesta página
em branco que provavelmente digo muita coisa, compreensível para algumas
cabeças, cabeças mais abertas, porque o branco é transparente, o branco diz
tudo, uma rosa branca, uma folha de papel branco, uma nuvem, a espuma de uma
onda, tudo em branco se percebe.
Quando
sou consiza, quando falo de sorrisos, de afetos toda a gente entende, estou
feliz, não há de facto nada para explicar, sou explícita, frontal, sou tão
previsível, tão transparente, tão sensível, que até eu tenho pavor disso, mas
existem coisas complexas, sem respostas, ou então eu ainda não as encontrei. A única coisa que sei, de que
tenho a certeza é que dói, dói muito e eu não queria que doesse, porque no
fundo, no fundo sou assim transparente como a água do riacho, como a lágrima
que se solta num momento de tristeza, ou felicidade, uma gota de àgua da chuva,
sempre soube estender a mão, sempre soube dar o tal abraço, e esta página em
branco vai seguindo o seu caminho sem explicação, porque ela é branca não se
vê, só se sente, está dentro de nós.
Ela
é o rio que corre no seu leito, ela é a lágrima que corre pela cara de alguém,
ela é a chuva que cai de mansinho na janela do meu quarto, e através dela eu
vejo tudo, tudo passa a ser claro, porque também ela é transparente, e então a
página em branco já não é branca encheu-se de letras, de palavras, e disseram alguma
coisa, já não são incompreensíveis, disseram algo e esse algo é tão igual a mim
como a página em branco, como a sua transparência, e nessa transparência eu me
revelei.
Isabel
Cabral
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
BOM DIA
Como é bom num dia de sol
receber um BOM DIA pela manhã
um Bom Dia desinteressado,
só porque é bom,
só porque é preciso
sempre quis fazer dos meus dias
um Bom Dia
cruzar-me numa rua qualquer
com uma pessoa qualquer
e ouvir "BOM DIA",
Com um sorriso,
mas tantos, é estimulante
alguém anda por aí
a precisar de Bons Dias?
A lágrima que rolou durante a noite
secou, cristalizou, partiu-se,
seguiu para um outro lugar
só porque alguém disse BOM DIA
e Sorriu!!!
Isabel Cabral
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