sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma prenda de Natal


Era uma vez, num Natal já lá vão muitos anos, uma história verídica, de uma menina que todos os dias ao ir para o colégio passava por uma loja onde se vendiam as coisas mais variadas.
Durante o ano era uma papelaria, recheada de todos os materiais, que nos faziam parar, lápis de cor que dançavam nas caixas coloridas, cheios de vida, papéis coloridos que nos apetecia comprar para os mais variados trabalhos.

Chegando a época natalícia a montra enchia-se de brinquedos (não como agora), mas para os nossos olhos de criança, o pouco que fosse já era muito.

Eis que todas as tardes ao sair do colégio a menina que tinha uma aula de ballet, no regresso a paragem era obrigatória, olhar para a montra e namorar um boneco de olhos azuis que lhe fazia lembrar o azul do céu e ficar não horas, porque não podia, mas largos minutos, aquele era o presente que ela desejava com toda a força, mas era tão caro que não sabia se o Menino Jesus que tinha tantos meninos para satisfazer teria possibilidades de lhe trazer aquele lindo boneco.

O primeiro ano passou, e o boneco não apareceu, a tristeza foi inimaginável, tinha cumprido tudo o que se pedia na altura, tinha-se portado bem, tinha estudado e o boneco continuava lá a olhar para ela, quando passava das suas voltas diárias.
No ano seguinte tudo se repetiu, o boneco voltou à montra da loja mágica e a menina voltou a ter esperança que seria dessa vez que o Jesus a contemplaria com tamanho desejo.

Na noite de Natal com o coraçãozito muito apertado lá se dirigiu à chaminé para pôr o sapatito, na esperança de ver no dia seguinte, tornar-se realidade aquele sonho que lhe invadia todo o corpo de criança, a magia do natal teria que funcionar.
Claro está que o ouvido esteve toda a noite bem sintonizado para a chaminé, porque todos os barulhos eram suspeitos, o frio era muito, custava a destapar a cabeça dos lençois tão cheirosos mas a vontade de conseguir ouvir alguém a descer era mais forte que o frio, o cansaço e a excitação acabava por fazer adormecer as crianças que esperavam ansiosamente pela manhã daquele dia de Natal.

Ainda os pais dormiam e toda a família, e aos primeiros raios de sol,(quando existiam), toda a criançada corria, para finalmente olhar para os presentes tão aguardados na grande chaminé de pedra marmorada,na casa, dos avós mas para a menina só o boneco bonito a poderia fazer feliz, entre ela e o boneco gerou-se uma cumplicidade tão grande naquela loja que não era possível, o milagre teria que acontecer naquele ano.
Ao longe um embrulho muito grande num papel também lindíssimo, seria o seu boneco?????
E o inexplicável aconteceu, era o Zé como ela na altura lhe chamou.
Nunca mais se separaram, durante anos aquele boneco foi vestido por tias, avós e toda a gente que pudesse, até teve direito a baptizado com fato e tudo, convite das amigas, lanche, com bolos e arroz doce.
FOI UM SONHO TORNADO REALIDADE
E O SONHO FOI TÃO GRANDE E TÃO LONGE QUE O ZÉ AINDA HOJE ESTÁ NA MINHA COMPANHIA.
Não envelhece porque é um boneco, mas os sinais do tempo já se fazem sentir, um dos lindos olhos azuis já abre com com alguma dificuldade, já não diz mamã, mas continua a ser um dos mais bonitos presentes com que algum dia sonhei e que se tornou realidade, e continuará sempre comigo guardado num lugar muito especial.
Isabel Cabral



19 comentários:

Anónimo disse...

A Isabel consegue dar realmente a este Natal uma grande magia com o seu "baú de recordacoes".
Esta história, que é da nossa Isabelinha, lembra-me um filme do Manuel de Oliveira. Sabe qual é?

Saudacoes natalícias quase de Wuppertal, onde hoje vou assistir a mais um Concerto de Advento.

Teresa disse...

Penso que o meu comentário foi anónimo... mas nao é, é meu!!!

Teresa disse...

Penso que o meu comentário foi anónimo... mas nao é, é meu!!!

BC disse...

Bom dia Teresa!
Aqui o tempo também está muito esquisito frio, muito vento, impossível.

Se tiver tempo ainda em relação a este boneco contarei uma história para a qual nunca consegui arranjar explicação, mas uma coisa muito estranha.
Acaba por ser esta sim uma magia de Natal, surreal e inacreditável,até difícil de se acreditar mas verdadeira.

A PRIMEIRA ETAPA FOI A QUE EU CONTEI VERÍDICA E DEPOIS O QUE ACONTECEU DURANTE UNS ANOS FOI INCRÍVEL, ELE DESAPARECEU E APARECEU NUMA NOITE DE NATAL, HÁ DOIS ANOS ATRÁS E FOI NOVAMENTE PRENDA VPELA SEGUNDA VEZ,O QUE EU SOFRI AO LEMBRAR-ME DAQUELE DOCE BRINQUEDO.
Mas fica para depois!!!!
Beijos
Isabel

Artista Maldito disse...

Olá Isabelita

Pois hoje a "cotovia" levantou-se tarde. Noite prolongada...de sonhos, com gelados à mistura.

As recordações de um boneco chamado Zé de olhos azuis faz-me lembrar uma outra que eu tive. Um Natal houve que recebi uma boneca do meu tamanho, nunca mais a larguei, pensava que era uma gémea minha. Já não sei onde ela pára, assim como um chorão que eu adorava.
Ficaram na memória ligados à magia da noite de Natal, mal se dormia com a ansiedade de ver o que estava no sapatinho. Boas lembranças estas.

Beijinhos e Bom Domingo
Isabel

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Isabel... Belíssimo texto, fiquei emocionada... beijinhos de muito carinho,
Fernandinha

BC disse...

Olá Isabel, a minha foi prolongada, porque adormeci no sofá de tão cansada que estava, eu por um lado, e a Mariana por outro.
Fui para a cama quase às 4 da manhã.

Também tive alguns chorões, e uma boneca que era da minha avó, maior que eu, com umas tranças enormes e falava, veio de fora e tinha já muitos anos, passou da avó , para a tia e depois para mim, não sei o que foi feito dela, mas também não sei porquê, não foi o brinquedo dos meus sonhos,o Zé sim.
Teria muitas histórias ainda para contar.
Bom resto de Domingo, cheguei agora de Sintra, estava imenso frio.
Beijinhos

BC disse...

Viva Fernanda,as minhas histórias de Natal, gosto de recordar estas coisas qe ainda povoam a minha cabeça mesmo passadas há alguns anos, mas foram boas recordações, felizmente.
Beijinhos

Isabel

Marta disse...

Olá, Isabel...
Também guardo ainda uma das minhas bonecas...Foi-me dada pela minha Madrinha e como ela a trouxe da Alemanha, chamei-lhe Helga...
Uma história de Natal linda e não me envergonho de confessar que fiquei com lágrimas nos olhos...
Beijos e abraços
Marta

Marta disse...

Olá, outra vez...
Tens uma surpresa no Com Amor...
Espero que gostes do comentário que escrevi ao teu poema...
Beijos e abraços
Marta

Joana Carvalho disse...

ADOREI... Há coisas que ficam para sempre. Passados 21 anos, tenho um boneco, que me foi dado quando era pekeninha, e os meus pais dizem-me que era um boneco (peluche...ou lá como se escreve) que eu não largava por nada deste Mundo... Chamo-o "o rato das bananas"... ahaha. Ele na barriga, tem 3 bananas desenhas... E hoje, ainda o tenho lá em cima da minha cama, entre outros bonecos, que quero que permaneçam... O corpo cresce, a mentalidade também...mas...lá no fundo, temos sempre a parte de criança. Beijinho grande

Viviana disse...

Isabel,

Mas que história mais linda!

Comoveu-me, sabe?

Nota-se ao ler, que tudo isso que a Isabel nos conta, está tão presente em si, é tão verdadeiro, que até nos emociona...

Obrigada, boa amiga por todas estas coisas belas e cheias da magia do Natal.

Um beijo

viviana

Marta disse...

Olá, Isabel...
Nada a agradecer...
O teu poema é lindo e só posso dizer - obrigada por teres participado no meu desafio e deixado que eu escrevesse o meu comentário...
Mil vezes obrigada....
Beijos e abraços
Marta

Nuno de Sousa disse...

Que lindo momento, cheio de sentimento e ternura que vem de ti amiga Isabel...
Estás de parabéns, escreves e transmites o que sentes por palavras... adorei.
Bjs enormes e um natal feliz para ti e restante família,
Nuno

BlueVelvet disse...

Acho que todos nós tivémos um sonho de presente assim.
Que sorte para nós que os conseguimos.
Também guardo alguns.
Uma história com todos os ingredientes de Natal.
Beijinhos

José Manuel Marinho disse...

Interessante conto. Tudo de bom.

Licas disse...

Amiga
à meia noite terminou o prazo da entrega dos contos de Natal.
A partir de amanhã começarei a colocar os textos no meu blog. Como houve 9 participações, colocarei 3 textos por dia, ou seja... no sábado colocpo 3, no domingo mais três e na 2ª os três restantes.
Depois poderão votar até ao dia 16 (10 pontos para o texto que mais gostarem, 6 pontos para o seguinte e finalmente 2 para a vossa 3ª escolha ).
No dia 17 será anunciado o vencedor e os restantes classificados.
Por favor avalia.
Beijinhos

Licas disse...

Amiga

Optei por colocar hoje de manhá 3 contos, às 17 horas mais 3 e à meia noite os restantes 3, para que o tempo de refkexão e votação seja maior (até ao dia 16 às 17 horas).
Até breve
Licas

Licas disse...

Isabel

Liberte-me desta dúvida ...
Como aparece o "Artista Maldito" a comentar assinando Isabel?

Desculpe, mas faz-me confusão