
POEMA
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tanta coisa que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo, é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto quando estás feliz.
lê isto: mãe amo-te
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que
não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei que tu sabes.
José Luís Peixoto in "A casa, a Escuridão"
Este poema hoje não é meu, é do José Luís Peixoto, um poema de que gosto muito, é para a "Mãe Catuxa" uma grande amiga que partiu e para os seus fantásticos 10 filhos, que a acompanharam sublimementente até ao fim, tanto na vida como na morte, sempre com aquele sorriso lindo que os caracteriza mesmo estando a sofrer.
É PARA VOCÊS MEUS AMIGOS, AMO-VOS MUITO A TODOS, UMA PALAVRA ESPECIAL PARA OS MEUS GÉMEOS CARLOS E RUI, (desculpem os outros, mas sabem porquê)!!!
Meus amigos Fragoso Malato é para vocês!!!
No fim uma homenagem a todas as mães.