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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meninos combatentes


Na mão de uma criança
uma arma carregada,
foi colocada
alguém lha deu,
menino combatente,
ignoraram essa pequena vida,
ainda não desabrochada
ainda não vivida.

Menino combatente,
às mãos dele alguém morreu,
sem sentido, sem explicação,

uma bala se perdeu

foi direita ao coração.
Sangue e terra,
terra e sangue,
uma vida acabada,
aos bichos entregue.

Que lutas são essas
que mobilizam crianças,
crianças inocentes.


Um menino com uma arma,
uma menina assustada,
por ele foi violada,
e de novo
terra e sangue,
sangue e terra
menino combatente.


Quem sabe se o menino
a arma não tivesse
um dia se apaixonasse,
pela menina assustada,
e ambos se amariam,
e esse amor se despiria,
da morte, do sangue, da dor.

Tu morte, não existirias
sem guerras, sem lutas.


Do amor do menino da arma.

Do amor da menina assustada,
um dia, outra vida desabrocharia
e só o amor resistiria.


Ao fazer este poema há uns dias atrás pensei em todos os meninos que são obrigados a combater, sem idade, sem opção, são diferentes porque não têm escolha, lutam para sobreviver.

E hoje nem de propósito enviaram-me um mail maravilhoso que mostrava, que as crianças são todas iguais mas algumas, são menos crianças que outras, apesar de nascerem todas iguais, não podem escolher o sítio onde nascem, nem o que lhes espera depois.
Essas não têm opção vivem para sobreviver, e resolvi
publicar o que já estava escrito há dias.

Isabel Cabral