de tempos já passados
fez o encanto
da menina dos olhos profundos,
era a sua amiga,
era a sua companheira
pela mão a pegava
e a levava para todo o lado.
Com ela falava,
com ela brincava,
e lhe contava os seus segredos.
A boneca de trapos que a avó
um dia lhe fizera
já com suas mãos cansadas,
mas fizera com tanto amor e carinho.
Era agora uma quimera,
num velho baú empoeirado,
num sotão escuro
onde só pequenos animaizinhos o habitavam.
Coisas velhas, ligadas a tantas vidas
ligadas a tantas histórias.
Mas, num cantinho, ela jazia,
com papéis e recordações
de tempos idos.
A boneca de pano chorava,
dentro do peito batia,
dilacerado um coração
de saudades da sua menina
de olhos profundos,
à espera que um dia
alguma outra menina
de olhos profundos
a descobrisse e a levasse
outra vez para fora do baú
e juntas vivessem de novo
as mesmas aventuras, outrora vividas
pelas duas amigas,
e o passado seria de novo presente.
Porque de mãos dadas
voltariam a brincar!!!
