onde pessoas se cruzam
onde pessoas se olham
o que terá para dizer
uma mesa de café.
Por entre um trago
por entre meia dúzia de palavras
um pão, uma dentada
um gole, uma olhadela,
gestos involuntários, demagogias.
Por trás de cada mesa
uma vida por desvendar,
uma vida já vivida,
coisas banais, cativar,
complicadas, aceitar.
Um desabafo, um amor
começado numa noite de Verão,
dele restará a dor
ou exaltará uma grande paixão,
onde sinos tocarão
músicas com furor
onde estrelas brilharão,
e serão centenas, milhares,
e o céu irão encher
porque cá em baixo
alguém se apaixonou.
Isabel Cabral
