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terça-feira, 29 de abril de 2008

Pôr do sol na falésia


Apesar da foto ser do ano passado demonstra
bem o estado em que a descida pela
falésia se encontra neste momento
ou pior pois já passou 1 ano e vai
sempre a piorar
Isto é o acesso para a praia antes do
Verão



Neste fim de semana prolongado na costa alentejana, reparei mais pprmenorizadamente para a falésia, onde tive uma pequena aventura que me podia ter custado cara, devido ao mau estado

em que os acessos à praia se encontram.

Como estou sempre atenta a estas coisas da natureza ao olhar para ela com mais atenção percebi que apesar dos seus maravilhosos tons ocres, onde o pinheiro manso prolifera, e se desenvolve com outras espécies selvagens, que nesta altura da Primavera estão francamente floridas, deparei-me com um contraste embora bonito, mas ao mesmo tempo assustador.

As rochas estão cada vez mais rendilhadas, fazendo-me lembrar uma renda de bilros tecida pelas

mãos habilidosas de mulheres em meios pescatórios, e isso preocupou-me, o areal cada vez se encurta mais, as partes mais juntas à falésia começam a não ter areia, mas sim o próprio desgaste da rocha vai tornando ou fixando aquela terra barrenta e alimentando um pouco os espaços outrora ocupados por areia branca e macia, tornando cada vez mais a praia mais pequena.

Há anos que conseguimos descer na mesma zona para a praia, mas de ano para ano nota-se uma

inclinação cada vez maior e as crateras formadas, tanto pela erosão, como pelas chuvas, e até pelo próprio mar que chega a algumas zonas, vai tornando de ano para ano mais difícil o seu enchimento com areia e terra antes da época balnear.

Consequentemente durante o Inverno as acessibilidades até à praia terão que ser feitas por outras zonas.
Como não me apeteceu no domingo ir dar a volta resolvi tentar descer com a Mariana, é evidente
que não foi nada agradável depois de muitas peripécias, e termos que saltar buracos de 2 metros e mais de diâmetro e
de largura ainda piores do que a imagem acima mostra, lá chegámos a bom porto sãs e salvas,
mas a coisa esteve complicada já não bastava aquela descida complicada ainda levávamos, chapéu de sol, sacos, garrafa de água, livros, enfim, nunca se metam nestas aventuras que podem ser perigosas.
Moral da história, sinto-me desiludida.
Ao longo dos séculos o Homem constrói, mas também destrói.
Viver em equilíbrio e pureza é o maior bem, para nós e para a Terra.
Isabel Cabral