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sexta-feira, 21 de maio de 2010

ALBUM

DO MEU ALBUM DE RECORDAÇÕES, DEVERIA ESTAR A FAZER UMA BIRRINHA PARA NÃO SAIR DA ÁGUA JÁ NAQUELA ALTURA O MAR ERA MEU IRMÃO!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Outrora foi assim

Na casa grande, sentada no banco de pedra, junto à vidraça, onde a chuva batia copiosamente, e as gotas se juntavam e caíam na vertical, me sentei.
O frio gélido do vidro me fazia frio, e me congelava os ossos, não fora a lareira acesa que me reconfortava.

Uma gota cristalina, transparente chamou-me a atenção, me hipnotizou, e ao cair levou meu pensamento para tempos recuados, recuados no próprio tempo.
Outras épocas, outros tempos, outras gentes perdidas no passado, renascidas na memória.
Fechei os olhos e a gota se transformou, numa pérola brilhante, num diamante lapidado.
Um salão de baile, igual aquele, um piano ao fundo, belas damas, com seus pares, na sua altivez, na sua palidez, dançavam ao som de valsas de Strauss.

Nos esguios dedos um anel de diamantes, e no elegante pescoço um colar. Tudo brilhava, tendo por fundo belas melodias.

E, dançavam, dançavam até ao amanhecer, e tudo se transformava num requinte sem igual, até o sol nascer. Pura imaginação.

Foi quando os olhos abri, e percebi, que não havia salão, não havia damas com seus pares com seus bigodes farfalhudos, sua elegância, imponência, não havia nem anéis, nem colares de diamantes, nem tão pouco uma linda melodia de Strauss.
Só uma grande sala vazia, uma lareira acesa, um piano ao fundo já estragado, mas cheio de recordações e belos acordes.
E na janela a bater apenas uma gota, apenas uma gota de água, cristalina, transparente que me fez sonhar, e me fez atravessar o passado, entre uma e outra gota gelada caída na janela daquela casa grande e fria.

Isabel Cabral