terça-feira, 18 de outubro de 2016

Um dia fui bailarina,
ainda menina
na ponta dos pés
voei
por terras e mares
andei
em sonhos
me balancei,
o tempo passou
as sapatilhas
deixei
quis ser ave
quis voar
andar pelo ar
vi brancas gaivotas
vi mares revoltos
mas uma coisa
eu sei
continuo a acreditar
que um dia
voarei.

Isabel de Sá Cabral


quinta-feira, 28 de julho de 2016

A vontade sempre inesgotável das palavras, o regresso talvez a um passado que me fez feliz, porque sempre aquilo que me fez lutar foi o escrever, o partilhar, aqui onde tantos comentários me fizeram chorar, os verdadeiros, os amigos.
E vou lançando letras que se juntarão de novo por um novo reencontro de pessoas que sempre me disseram algo importante, agora que perdi o Alentejo, aquele meu abrigo de sonho, onde fugia de tudo, mas onde me encontrava com a natureza, com o mar que sempre me impressionou, que sempre me ouviu.
Estarei provavelmente a escrever para mim, já nem me lembro muito bem do funcionamento de tudo isto, mas vou chegar lá de novo, numa estrada que não foi percorrida até ao fim e serei de novo BC, com as minha imagens, com as minha músicas quando se justificar e vou tentando voltar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

VOO

"Às asas da gaivota me agarrei, no seu dorso me sentei,  seria um voo alto, distante.
No azul entrei, e olhava em redor, e o azul do mar estava a ficar longe, mas misturavam-se, os azuis e os verdes, as pessoas eram seres pequeninos que já pouco se visualizavam.
Nas nuvens balancei e entrei, pensei ser a minha almofada branca, macia, onde me sentia segura, mas rápido percebi que delas escorriam gotas de água.....andei mais um pouco e o sol sorriu para mim, e as gotas abraçaram-se com o sol e surgiu um arco-íris de cores fantásticas peguei nelas e transformaram-se em lápis de cor, fiz então um desenho, quase infantil e mais uma vez entendi que era ali que queria ficar por algum tempo no silêncio entre os azuis e as cores fantásticas, observando o mundo, por vezes cruel, desumano, mentiroso.
Mas ali não, tudo era puro, colorido, e via as crianças brincar, sem lágrimas, só precisavam  agarrar o arco-íris nas suas mãos pequeninas e sorrir"

Isabel De Sá Cabral

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

APENAS MENINOS

Há muito....muito tempo, conheci um menino, nunca brincámos "propriamente juntos", na realidade ele aparecia-me em sonhos, vivia algures numa estrela num planeta, quiça... nunca mo disse, nunca soube o seu nome na verdade.E conversávamos, conversávamos todos os dias.Ficámos amigos, ele era especial para mim.......... Era uma amizade linda, muito pura, muito mágica, diferente das outras, aquele menino de olhos meigos e doces passou a povoar a minha imaginação.Fizémos planos nas nossas cabeças ingénuas de crianças.Brincávamos na rua, ele de calções até ao joelho, eu com um vestido cor-de-rosa com florinhas, e na cabeça os meus lacinhos colocados num cabelo liso muito esticado e bem penteado, corríamos, subíamos às árvores, colhíamos flores no campo, que ele me punha nas mãos e no cabelo graciosamente, flores com seus perfumes e aromas magníficos, corríamos pelos campos, mergulhávamos no mar azul, nadávamos com os golfinhos, respirávamos o mesmo ar todos os dias, sempre juntos.Nunca nos conseguimos tocar, sentia que ele me chamava a toda a hora, que precisava de mim, da minha mão, precisávamos tocar a mão um do outro, mas não chegávamos lá, algo nos impedia, era estranho, estar com alguém e não o poder tocar.Mas aquele sonho como todos era só um sonho, não era real, e eu não consegui tocá-lo, pegar-lhe na mão, apertá-la bem forte e dizer-lhe:- estou aqui. Acho que me apaixonei por aquele menino de olhos ternos e tristes, que no fundo..... no fundo estava tão longe de mim como as estrelas no céu que queremos tocar e nunca lá conseguimos chegar, era assim connosco.Era um holograma, inatingível como todos os hologramas.Mas um dia esse menino deixou de me visitar como fazia todos os dias, partiu, partiu sem dizer nada quem sabe para outra estrela, para outro planeta, bem longe daqui, sem o tocar, sem uma despedida, sem um carinho, sem uma ternura, a mão que eu queria agarrar com força, para podermos selar a nossa amizade para sempre, mas o sonho esfumou-se na madrugada.Mas passado todo este tempo esse menino de olhos doces e ternos mas muito tristes, continua a povoar os meus sonhos de menina.E nas noites, em que as estrelas brilham intensamente, olho para o céu e ainda espero que um dia ele me dê um sinal, e apareça sorrindo, dizendo:- eu estou aqui, vamos os dois brincar!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

VIDA

Vida...
Cada um que passa em nossa vida passa sozinho...
Poque cada pessoa é única para nós, e nenhuma substitui a outra...
Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só...
Leva um pouco de nós mesmos e deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas  há os que não levam nada.
Há os que deixam muito, mas  há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da vida... A prova tremenda de que cada um é importante e que ninguém se aproxima do outro por acaso.
 
Antoine De Saint-Exupery

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

EM TEMPOS DE CRISE TUDO PODE ACONTECER


"EM TEMPOS DE CRISE, TUDO PODE ACONTECER"

No meio de tantas histórias contadas, ouvidas,vividas esta história pode ser a sua, ou parecida, tinha que escrever este apontamento, neste país que é o meu,e que eu  amo, mas que cada vez me desilude mais!

Mais uma vez as  palavras ecoaram nos ouvidos como uma doença má, como uma tempestade em dias de alerta vermelho, porque doía, doía muito, e eu não queria ouvir, num tempo de crise em que todos os sentimentos mais frágeis soam à flor da pele, e parecem maiores.

O coração bateu mais forte, o suor percorreu todo o corpo como um riacho em dia de agitação, numa cabeça estúpida que nada teria feito, porque ao fim de tantos anos de experiências tão diferentes, depois de passar noites de luar com a cabeça burra enterrada entre folhas e sebentas, até madrugada fora, no conforto do meu quarto  tudo se embrulhou entre fraldas e biberons, noites mal dormidas e seguidas, escolas e natações, mochilas e marmitas, febres, dores de barriga, vomitados, diarreias, e por aí fora, sem pestanejar, numa entrega de verdadeira heroína.

Só poderia ter estupidificado, e o diploma de nada serviria,tantos anos volvidos, seria um papel usado para dejetos, ou coisa semelhante, restar-me-ia uma escada suja num prédio qualquer algures na cidade, que abrilhantaria com pano fino em trabalho forçado,  e as línguas estrangeiras teriam que ser faladas com as paredes da escada petrificada, como o muro de Berlim, sim porque nem falar já podemos, a democracia acabou, durante a limpeza, caso essas me quisessem escutar, nem inglês, nem francês, nem espanhol, muito menos o alemão porque agora ouvir a língua da Senhora Merkel não é muito desejável.Mas temos que nos atirar de cabeça não fosse o diabo tecê-las e nem uma tigela de sopa teria para comer.

Previnam-se minhas amigas, sim  porque em tempos de crise, tudo pode acontecer!!!

domingo, 13 de janeiro de 2013