
e me sentei na areia
olhei para a linha do horizonte
aquela linha tão ténue
entre os azuis do céu e o mar
gostaria de lá chegar
e a ultrapassar
descobrir o que existia do outro lado
daquele horizonte misterioso.
Entre as mãos segurei na areia
que velozmente me escorregava
por entre os dedos
e era tão fina, tão fina
que conseguia identificar naqueles
finos grãos, búzios e conchas brilhantes
que eu não conseguia perceber
de onde vinham.
A água a correr, as ondas a bater
o vento na cara a sussurrar-me
canções celestiais
numa tamanha perfeição
que só era mesmo sentida
dentro do meu coração.
E então fechava os olhos
e naquele silêncio
eu podia ouvir, olhar e sentir
tudo o que se encontrava
à minha volta
que só podia ter sentido
criado por alguém muito especial
alguém divino
para me deixar ver
escutar e sentir
tanta beleza à minha volta.
O significado de coisas que parecem
não ter importância,
mas são essas coisas simples
maravilhosas e deslumbrantes
que descobrimos nesses momentos
que são só nossos
de silêncios, que nos fazem pensar
que não estamos sós.
Ao cair da noite, ainda sentada
na areia
lá longe no horizonte
uma estrela apareceu
e me vem fazer companhia,
ela brilhava, cintilava
e com ela segui
até que adormeci serena
deitada na fina areia
até amanhecer num novo dia.
Isabel Cabral