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quarta-feira, 16 de junho de 2010

JANELA

Da janela deste quarto
vejo o mar
aquele mar salgado
que eu sei amar
igual às lágrimas
que me entopem
os olhos neste momento,
a garganta apertada
com um nó que não passa,
e eu não queria chorar.

A força que eu lhe queria dar
mas a minha fragilidade é tanta
que alguém tem que a mim
também a dar,
mas neste momento
estou só, neste quarto entorpecido,
apetece-me gritar, fugir,
voar para longe,
e ficar nesta cadeira à espera
neste quarto gelado,
com falta de calor humano,
fiquei sozinha,
nestas longas horas de espera
sem saber o que esperar,
a sua volta, única certeza,
para de novo sentir calor,
dar calor.

O sol desapareceu, lá fora
as pessoas que há pouco
enchiam a praia afastam-se
neste fim de dia,
o mar há horas azul,
está agora cinzento, escuro, triste
a noite aproxima-se,
e eu estou só,
alguém lá fora está
como eu olhando o mar,
esperando como eu,
um outro alguém
as horas longas que parecem
não querer passar,
mas eu fico à espera,
olhando o mar,
mesmo que fique só!!!

Isabel Cabral
07-07-2010