
vi-me sentada
num banco de escola,
à minha frente uma folha
de papel branco, muito branco.
Peguei nos lápis de cor
para fazer um desenho
e fiz uma janela,
lá fora um sol amarelo
com grandes raios
que brilhavam
e inundavam toda a sala,
as crianças brincavam na rua
aquelas brincadeiras ingénuas,
infantis, de que tanto nós gostávamos,
o amarelo era forte, muito forte
entrava por mim adentro
e enchia-me de luz
de sorrisos, calor
dava-me vontade de pular, sorrir,
abraçar alguém, até gritar.
Mas, de repente apeteceu-me
agarrar numa borracha
e apagar aquela janela
aquele sol radioso.
Acordei, a sala era a minha cama,
a janela estava fechada
a folha tinha desaparecido
com ela o sol, as crianças,
as brincadeiras,
a magia daquele desenho
que me fez regressar
a outros tempos
e eu vi-me numa imensa escuridão
era apenas a minha cama,
tinha regressado de novo ao presente.
Isabel Cabral