eu um dia me prendi.
Às gentes desesesperadas,
com tanta luta, sofri,
noite e dia na lavoura,
com o ancinho e a enxada.
trabalho de sol a sol,
em lamurias sufocadas,
com o suor misturadas,
ouvidas só pelos pássaros
que em cantares se confundem,
uns com os outros, numa total harmonia.
De uma terra empenhada,
numa sobrevivência.
impossível.
Entre o calor do dia,
e o frio empedernido da noite
numa luta desigual.
Quando se parte,
não mais se consegue voltar,
algo nos prende,
entre cheiros e silêncios.
Isabel Cabral
