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sábado, 10 de maio de 2008

Despedida


Na sequência de "Um Poema para Mariana", em que tentei, quando o fiz, de alguma forma, exprimir a minha solidariedade para com a minha filha, naquela fase da vida que ia começar, e que todos nós sabemos que não é fácil que é a adolescência tudo toma proporções gigantescas, nestas idades as pequenas coisas tornam-se enormes, "os pequenos grandes-dramas "que nos fazem chorar, tudo iria começar, lembrei-me, e, pensei que os homens também teriam uma palavra a dizer, embora não se exprimam, ou melhor não dêem a cara como as mulheres.
Mas, contrariando um pouco essa ideia fabricada de que os "homens não choram"resolvi procurar
um poema do meu pai que deita por terra essa teoria. Os homens também se preocupam, também têm sentimentos, também sofrem, exprimem-no é de outra forma.
Depende também da sensibilidade, do feitio de cada um, da forma como se manifestam.
Porque eu sei que os homens também choram, e ainda bem. Obrigada, mais uma vez pai("roubei-lhe", outro poema). Mas, obrigada pai, por saber sorrir, e por também saber chorar.
Ultimamente temos partilhado muitas palavras. Sabe tão bem!
Ainda na quinta-feira o fizemos, mas sabe sempre a pouco, é bom ter a sorte de poder falar com
pessoas como o pai. E lá vai encontrar mais uma vez neste bloguezito da sua "querida filha", outro poema seu. Um bloguezito onde as palavras Falam, Sorriem, mas que às vezes também Choram...

"O MEU MENINO PARTIU"
O meu menino partiu
triste e triste me deixou.
Foi procurar as estrelas
que o seu país lhe negou.
Transportava nos olhos as guitarras
com que o destino chora o nosso fado.
Nas mãos levava o canto-desencanto
do seu sonho traído e destroçado
O meu menino partiu
triste e só, ternura e mágoa,
deixando-me o desespero
nos meus olhos rasos de água
Albergava no peito, bem no fundo,
um luzeiro faminto de esperança
e, no silêncio com que me abraçou,
o grito do seu sonho de criança.
O meu menino partiu,
sonho e raiva de abalar.
Mas este país-silêncio
que lhe negou as estrelas
com que, menino, sonhou
poder ter para brincar,
há-de, um dia, ser rebento
feito renovo no vento
pra que possa regressar.
O meu menino partiu
mas há-de , um dia, voltar.
Mariano Calado
in
Raízes de Maresia