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segunda-feira, 2 de março de 2009

Mar

Ah! meu lindo mar,
onde os barcos vão zarpar,
meu farol
que ilumina
em noites de temporal,
areia escaldante,
à noite fria,
onde teus pés enterras,
e esperas,
ver teu homem chegar.


Num sonho desesperado
de o ter de volta,

numa noite de vendaval.


Um turbilhão, de emoção
tu sentes no coração,
as ondas, a bruma, o mar
a dor, e o pão.

Mas o teu homem não volta,
ficou preso na maresia,
do fundo do mar revolto
e com sabor a sal jazeria.


Onde há búzios e estrelas,
que tu agarras na mão
e as apertas com força
e com ele pró fundo vão.


Estórias de encantar,
de marinheiros, piratas,
estórias de pasmar
de tão lindo, tão azul, que és
às vezes escuro ficas

e uma vida escutarás,
e essa vida espiarás

para sempre, envolvida
na dor de alguém, que perdeu
seu ente querido, seu amor

seu homem, seu companheiro

e com essa dor ficarás
toda uma vida,
de luto mascarada.


Isabel Cabral