Numa noite fria e escura, só as estrelas e a lua brilhavam no ar, bem lá no céu.Uma menina descalça na rua deambulava, sem paradeiro, seus pés descalços, em ferida começavam a doer de tanto frio.
Sem família, não tinha para onde ir, sentou-se então no chão e vê uma estrela diferente das outras, ainda mais brilhante e que parecia querer dizer-lhe algo, resolveu então segui-la, com muito esforço lá foi, o frio, a fome e as dores no corpito franzino não a deixavam continuar, mas alguma coisa a empurrava e a obrigava a não desistir.
Andou, andou, e chegou a uma casa pequena, uma casa vulgar, num dia de Natal, numa noite especial, onde a família estava reunida em volta da lareira, as condições não eram muitas, mas existia boa vontade e muito amor.
Uma pequena árvore encostada ao fogão fazia a delícia das crianças onde se viam algumas meias penduradas com buracos por todo o lado.
A árvore tinha algumas bolas coloridas, e uns pequenos bonecos vermelhos que dançavam, enquanto o fogo crepitava, acolheram-na com todo o amor.
Tudo foi dividido, comida, roupas, e humildes prendas feitas por eles, pois o dinheiro não chegava para mais, estavam colocadas com todo o carinho debaixo da árvore à espera da hora que se aproximava.
Bonecas, carrinhos, peluches não existiam, mas uma grande solidariedade e um grande espírito de Natal, que era a maior prenda, e que foi dividido com uma pessoa que se encontrava só naquele dia tão especial.
Para esta menina, a vida nunca mais foi igual, tinha uma família com quem podia partilhar a sua vida, o calor humano que recebeu foi a melhor prenda algum dia recebida por ela naquela casa onde se respirava amor.
Amor próprio de uma noite de NATAL, em que se dá as mãos aqueles que estão mais sós.
Um Natal diferente para todos, os que recebem e os que partilham.
E fazer daquele natal, um natal diferente, um natal mágico, onde todos são iguais.
Isabel Cabral
