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domingo, 19 de outubro de 2008

Da janela do meu quarto

Através da janela
do meu quarto,
vejo coisas, oiço coisas,
que outrora tão longe
as sentia
Tantas cores que se vão
desmultiplicando,
agora no Outono,
entre os verdes e castanhos
misturadas entre as flores,
de duas se dsdobram
e se diluem no castanho
da terra abençoada
que tantas cores nos dá
ao longo de todo o ano,
cheiro de terra molhada,
folhas caídas, se despem
as árvores aos poucos
numa vergonha
cansada.
Oiço sons, cheiro perfumes
na cara o vento me beija
a chuva me molha
e me aconselham
e o perfume das flores
minhas cúmplices
de que eu retiro mil perfumes
diluídos
da begónia, aos brincos de princesa
das hortênsias à alfazema
e ao longe o mar que bate
e me chama
num abraço profundo
de ondas violentas
que batem com força
e eu desço, e nas algas
me embrulho
no castanho, não da terra
mas do mar misturado com a areia
que traz búzios, que traz algas
e eu não sei se subo ou desço
se é terra, ou mar
só sei que me envolvo
entre cheiros delicados
onde há terra molhada
e um cheiro a maresia
e entre o mar e a terra
eu fico e me afundo
e neles me vejo
e com eles me misturo
todos os dias
da minha vida!!!

Isabel Cabral