do meu quarto,
vejo coisas, oiço coisas,
que outrora tão longe
as sentia
Tantas cores que se vão
desmultiplicando,
agora no Outono,
entre os verdes e castanhos
misturadas entre as flores,
de duas se dsdobram
e se diluem no castanho
da terra abençoada
que tantas cores nos dá
ao longo de todo o ano,
cheiro de terra molhada,
folhas caídas, se despem
as árvores aos poucos
numa vergonha
cansada.
Oiço sons, cheiro perfumes
na cara o vento me beija
a chuva me molha
e me aconselham
e o perfume das flores
minhas cúmplices
de que eu retiro mil perfumes
diluídos
da begónia, aos brincos de princesa
das hortênsias à alfazema
e ao longe o mar que bate
e me chama
num abraço profundo
de ondas violentas
que batem com força
e eu desço, e nas algas
me embrulho
no castanho, não da terra
mas do mar misturado com a areia
que traz búzios, que traz algas
e eu não sei se subo ou desço
se é terra, ou mar
só sei que me envolvo
entre cheiros delicados
onde há terra molhada
e um cheiro a maresia
e entre o mar e a terra
eu fico e me afundo
e neles me vejo
e com eles me misturo
todos os dias
da minha vida!!!
Isabel Cabral
