Tu que falas, eu que falo,que fazemos, afinal?
Não é com falas e falas
que fazemos Portugal.
Já em Alcácer-Quibir
por bem falar nos perdemos.
E, se mais falas falamos,
não nascemos, não nascemos.
Tu que choras, eu que choro,
que fazemos por fazer
das lágrimas que choramos
as sementes de nascer?
Mas, ai não é com lamentos
que volta Sebastião:
não se rasgam nevoeiros
sem termos o Sol na mão.
Tu que falas, eu que falo
que fazemos, afinal,
pra ter na mão a coragem
de acordarmos Portugal?
Porque é tempo de acordar,
Porque é tempo de nascer.
Porque é tempo de gritar
o direito de viver.
Mariano calado
in
"Raízes de Maresia"
Publicado em 1973 in Fogo de Santelmo""e reeditado em 1995
PORQUE ESTAMOS EM ABRIL!!!