Aquele mundo imundo, explorei
até à exaustão
onde não existiam sorrisos,
nem sóis, nem luas.
Na mão uma flor,
nos lábios um sorriso,
uma mão cheia de amor
no corpo o infinito.
Um dia chegado,
anunciava outro tempo
outro dia,
na flor beijada.
Já não havia frio
apenas a suavidade,
o tempo ameno
e a natureza gritava,
clamava por esse tempo.
E os nossos corpos chamavam
pelo calor,
mascarado em sol
transformado em amor
aquele que todos amavam.
Em sede, em agonia
mas que agora se tornaria,
num amor real
agora concretizado
numa Primavera
que se implantava
numa natureza sedenta
e dentro de nós.
Transformada agora
em dois sóis, duas luas
em duas mãos
para sempre unidas
e juntas
na mesma Primavera.
Isabel Cabral

