
Uma tarde de Inverno
em que as folhas caíam
amareladas, no verbo
feitas papiro,
de finas que eram,
onde vidas se escreviam.
E a chuva caía,
teimosa, desorientada,
entre dois corpos, paixão
que em duas mãos,
se uniam,
pelos caminhos, degraus
num sobe e desce
de vida fluída,
numa estrada deserta,
de vento, de chuva
onde nada parecia
ter fim.
Percorrida sobre algodão
colorido dentro do coração.
E as almas se juntavam
e percorriam
sem saber para onde iam.
Apenas sabiam que
se amavam perdidamente
naquela tarde chuvosa
de Inverno.
Numa estrada deserta,
percorrida num silêncio
apenas quebrado
pela respiração ofegante
de dois seres apaixonados,
que andavam e deslizavam
ao som da mesma música,
que a própria chuva tocava,
e lhes afagava a cara.
Isabel Cabral





