sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Rain



Uma tarde de Inverno
em que as folhas caíam
amareladas, no verbo
feitas papiro,
de finas que eram,
onde vidas se escreviam.


E a chuva caía,
teimosa, desorientada,
entre dois corpos, paixão
que em duas mãos,
se uniam,
pelos caminhos, degraus
num sobe e desce
de vida fluída,
numa estrada deserta,
de vento, de chuva
onde nada parecia
ter fim.

Percorrida sobre algodão
colorido dentro do coração.
E as almas se juntavam
e percorriam
sem saber para onde iam.

Apenas sabiam que
se amavam perdidamente
naquela tarde chuvosa
de Inverno.

Numa estrada deserta,
percorrida num silêncio
apenas quebrado
pela respiração ofegante
de dois seres apaixonados,
que andavam e deslizavam
ao som da mesma música,
que a própria chuva tocava,
e lhes afagava a cara.

Isabel Cabral


13 comentários:

poematar disse...

Natureza e sentimentos fundidos com uma coisa só. Assim é a paixão. Ainda não foste curiosa, ou então o poema horrorizou-te. Boa semana.

Artista Maldito disse...

Bom Dia Isabelita

Um poema de união entre a ternura e a paixão, de mãos dadas a percorrerem a estrada molhada e por vezes deserta da vida.

E é na melodia do silêncio que duas almas se encontram.

Beijinhos e Bom Início de Semana,
Isabel

gaivota disse...

um misto de sentimentos lindíssimos a percorrer mesmo com tanta chuva e tanto inverno...
boa semana para ti
beijinhos

Marta Vasil disse...

Isabel

Deixei no meu blogue, com muita ternura, um miminho para si.

Beijinho

Voltarei para a ler
MV

Nuno de Sousa disse...

Está lindo... que belo q ficou, cheio de bons sentimentos e ternura.. adorei e a imagem é linda.
Pois eu também ando afastado e tenho imensos comentários atrazados, mas cá vamos aos poucos fazendo alguns ;-)
Bjs grandes amiga e tem uma boa semana
Nuno

Marta disse...

Também eu gosto de passear à chuva e sentir que me afaga....
Ás vezes, estou só; outras acompanhada, mas sinto sempre a cor da chuva...
Obrigada pelo sorriso...
Fica um para ti também...
Beijos e abraços
Marta

Vieira Calado disse...

À chuva ou sem chuva, o amor é sempre mais forte forte.

The matter of the angels...


Bjs

poematar disse...

Canta, canta, sem medo, mesmo que desafines. Vais ver que é uma maravilha. Obrigado pela visita.

Teresa disse...

Este poema, minha cara Isabel, é mais um testemunho, que mereceu o Prémio do Romantismo.
Por vezes a chuva é mais forte do que o amor - eu adoro ir passear à chuva, mas sòzinha, para ser senhora dos meus pensamentos...

O Diogo está cá de visita, por isso publiquei aquele texto dele, que já é bastante antigo. Ele nem sabe de nada, só chegou hoje.

Boa noite!

Licas disse...

Bom dia Isabel

Poema tão simples e tão profundo, cheio de carinho e paixão.
Tenho a certeza que o dia de sábado, acompanhado pela chuva de regresso e todo o sentimento da sua grande alma, transformaram o caminho numa folha de papel e os riscos deixados na estrada escreveram este poema.

Muito obrigada por este despertar.(Só vi hoje de manhã)
Um beijinho
Isabel

Artista Maldito disse...

Olá Isabelita

Passo na minha ronda para lhe desejar um bom dia.

De quem é a pintura? Não consigo perceber a assinatura. E agora vou aos meus afazeres domésticos, que remédio.

Beijinhos
Isabel

BC disse...

Isabel, de facto quando tirei a imagem, não tinha o nome do autor.
A Isabel de pintura sabe mais do que eu porque é a expert nisso eu percebo muito pouco.
É um pouco estilo Renoir????
Ou estou a dizer uma grande asneira!!!

Sônia Brandão disse...

Gostei do poema, gostei do seu blog. Pretendo visitá-lo quando puder.
Um abraço.