quarta-feira, 11 de junho de 2008

Nota breve


Contornaram a terra, navegaram para Sul, e ao cair de uma tarde, penetraram sob o arco das gaivotas, na barra estreita de um rio esverdeado e turvo, flutuante de imagens entre as margens

cavadas. À esquerda, subindo a vertente, erguia-se o casario branco, amarelo e vermelho, misturado com os escuros granitos.

Na luz vermelha do poente a cidade parecia carregada de memórias, insondavelmente antiga,

feérica e magnetizada, com todos os vidros das suas janelas cintilando. A animava-a uma veemência indistinta que aqui e além aflorava em ecos, rumores, perpassar de vultos, gritos longínquos e perdidos, reflexo de luzes sobre o rio.
Sophia de Mello - Histórias da Terra e do Mar

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Principezinho


Os meninos que me perdoem por dedicar este

livro a uma pessoa grande.

Mas tenho uma desculpa de peso:

essa pessoa grande é capaz de perceber tudo,

mesmo os livros para crianças.

E tenho outra desculpa, a terceira: essa pessoa

grande mora em França e em França passa fome

e passa frio. Bem precisa de ser consolada.

Mas se todas estas desculpas não chegarem, então,

gostava de dedicar este livro à criança que essa

pessoa grande já foi.

Porque todas as pessoas grandes já foram

crianças.

(Há é poucas que se lembrem disso).

Portanto, a minha dedicatória vai passar

a ser assim:

Para Léon Werth

quando ele era pequeno

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sorriso vai à lua

Imagem google

E o Sorriso viajou,
Foi até à lua,
num foguetão,
que era azul,
Para lá voou.
Ainda era dia,
empurrado
pelo vento sul.
Não disse não,
a tal desejo guardado
já há tanto no seu coração.

Sonhava acordado
por todo o lado,
estava sozinho,
poderia encontrar companhia
que o protegesse,
de noite e de dia,

Quando lá chegou,
a lua o beijou,
com seus cabelos desgrenhados,
ele falou,
sentiu um frio,
um arrepio,
percorrer-lhe todo o corpo,
correu e saltou,
de cá, para lá,
de lá para cá.
Sentia-se leve.

E pensou,
no seu planeta azul,
e no mar, com o vento,
vindo de sul,
o frio, e o medo,
assustaram-no.
Estava tão longe, tão alto.
De companhia,
só as estrelas,
e uma mais simpática,
com ele sorria,
noite e dia,
mas também nada
de especial lhe dizia.

Pensou então em voltar,
e gritou, gritou,
mas ninguém o ouvia.
Era preciso acordar.
Aquilo, não era vida,
para ele
Queria partir de novo,
precisava de algum carinho.
Abrir os olhos,
que estavam fechados,
e levantar,
de um sonho,
que na realidade
nunca existira!!!
Isabel Cabral
O" SORRISO" para quem não sabe, foi uma personagem criada por mim ,que já tem por aí alguns episódios e terá mais certamente!!!!




quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dia Mundial do Ambiente

O FUTURO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS!
Os contrastes são arrepiantes!
Queremos árvores plantadas!
Queremos o sol a brilhar!
Queremos que o nosso planeta continue azul!
Queremos que o nosso planeta continue verde!




terça-feira, 3 de junho de 2008

É Urgente

Nas armérias lilazes
(ou saudades que são, na voz do povo),
eu sonho e canto
todas as flores do mundo
e as crianças que choram
sem brinquedos
e os que amam
sabendo que não podem ser amados
e os que vivem sem casa
onde abrigar os medos
e o direito de estar.

É preciso é urgente,
que as armérias-saudades
continuem felizes e lilazes,
e que não haja crianças sem brinquedos,
e que não chorem velhos sem abrigo,
deitados em misérias indiscretas,
e que o sonho não morra
ou enlouqueça
nos olhos dos poetas.

Mariano Calado
in "A Fuga do Silêncio"

Nota: As armérias da imagem são do guincho

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Uma gota

GOTA DE ÁGUA



LÁGRIMA


Uma lágrima caiu,

qual gota de água,

que enche o oceano.

Uma gota de orvalho,

da planta escorregou,

gota salgada,

dos meus olhos escorreu,

e eu quis ser água,

e eu quis ser gota,

e eu quis ser lágrima

e dissolver-me no oceano.

e ser espuma,

e ser mar...!
isabel cabral

domingo, 1 de junho de 2008

Dia Mundial da Criança

AS PALAVRAS HOJE SÃO VOSSAS!