
Contornaram a terra, navegaram para Sul, e ao cair de uma tarde, penetraram sob o arco das gaivotas, na barra estreita de um rio esverdeado e turvo, flutuante de imagens entre as margens
cavadas. À esquerda, subindo a vertente, erguia-se o casario branco, amarelo e vermelho, misturado com os escuros granitos.
Na luz vermelha do poente a cidade parecia carregada de memórias, insondavelmente antiga,
feérica e magnetizada, com todos os vidros das suas janelas cintilando. A animava-a uma veemência indistinta que aqui e além aflorava em ecos, rumores, perpassar de vultos, gritos longínquos e perdidos, reflexo de luzes sobre o rio.
Sophia de Mello - Histórias da Terra e do Mar




