segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meninos combatentes


Na mão de uma criança
uma arma carregada,
foi colocada
alguém lha deu,
menino combatente,
ignoraram essa pequena vida,
ainda não desabrochada
ainda não vivida.

Menino combatente,
às mãos dele alguém morreu,
sem sentido, sem explicação,

uma bala se perdeu

foi direita ao coração.
Sangue e terra,
terra e sangue,
uma vida acabada,
aos bichos entregue.

Que lutas são essas
que mobilizam crianças,
crianças inocentes.


Um menino com uma arma,
uma menina assustada,
por ele foi violada,
e de novo
terra e sangue,
sangue e terra
menino combatente.


Quem sabe se o menino
a arma não tivesse
um dia se apaixonasse,
pela menina assustada,
e ambos se amariam,
e esse amor se despiria,
da morte, do sangue, da dor.

Tu morte, não existirias
sem guerras, sem lutas.


Do amor do menino da arma.

Do amor da menina assustada,
um dia, outra vida desabrocharia
e só o amor resistiria.


Ao fazer este poema há uns dias atrás pensei em todos os meninos que são obrigados a combater, sem idade, sem opção, são diferentes porque não têm escolha, lutam para sobreviver.

E hoje nem de propósito enviaram-me um mail maravilhoso que mostrava, que as crianças são todas iguais mas algumas, são menos crianças que outras, apesar de nascerem todas iguais, não podem escolher o sítio onde nascem, nem o que lhes espera depois.
Essas não têm opção vivem para sobreviver, e resolvi
publicar o que já estava escrito há dias.

Isabel Cabral

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Berlengas

Forte S. João Baptista
Gaivotas perto do Forte

Praia



Prainha vista do Cais





Forte S. João Baptista



Cais em baixo, com as casas do lado esquerdo em cima

Aqui onde a terra acaba e o mar começa, vivemos experiências reais, no meio de um sonho irreal devido à maravilha da terra e do mar que nos leva a voar com as gaivotas que são às centenas, aos milhares, e ali naquele sítio encantado, nós sonhamos com piratas, com tesouros como se estivéssemos nós mesmos dentro de um livro de fantasia e de magia, e fossemos as personagens.

Tudo naquela ilha parecem imagens projectadas, como se de espelhos se tratasse.


Dentro de casa a água tinha que ser racionada, por isso existiam duas torneiras , uma de água doce e outra de água salgada, tudo era feito com água salgada excepto a comida.

Ao levantar seguíamos rapidamente para fora de casa, depois de um reconfortante pequeno almoço, para o cais ver a chegada do barco, onde as pessoas pareciam mortos /vivos devido às tormentas da viagem à qual nós já estávamos habituados, e a maior parte das vezes brincávamos com a situação porque miúdos éramos na altura.

Seguia-se um excelente banho onde se proporcionava, ali mesmo no cais de águas verdes, misturadas com o azul, onde não havia lugar para explicações racionais, aquelas cores não existiam, só na nossa imaginação, nos livros de histórias.

Com os cocos,( barcos pequenos) que pareciam flutuar nas águas límpidas ou com os próprios pescadores quando estavam disponíveis e tinham paciência para nos aturar percorríamos aquelas passagens que só eles conheciam, aquelas grutas onde o sonho ultrapassava a realidade, e sonhávamos, sonhávamos...


A nossa mão era posta dentro de água e tornava-se da cor do mar e deixava de ser uma mão cor de pele mas de todas as cores conforme a tonalidade do mar, no fundo tudo estava perto, as estrelas do mar, os corais, os cavalos marinhos, e eram azuis, rosas, verdes, brancos uma panóplia de cores que se fundiam num azul divinal.

Assim era o nosso dia, voávamos até ao farol, na Primavera as flores cobriam a ilha de flores que só lá existem de todas as cores, e as gaivotas faziam-nos companhia, conversavam connosco.

De noite, a maravilha do silêncio, só interrompido pela conversa das gaivotas. Um gerador que desligava à meia noite e então vinha a escuridão, o barulho do mar a bater nas rochas.


A lua espreitava e batia nas águas aquela hora escuras, e tornava-as prateadas, num postal surreal e nós olhávamos e perante tanta beleza deixavamo-nos adormecer!!!!

Isabel Cabral

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tanta gente

Do meu meigo sorriso
ao teu encorajador,
voámos pelo mundo
onde não deveria haver
alguma dor.

Os cavalos eram brancos,
com asas alados,
e por aí fomos
percorrendo tantos sítios,
e mãos apertámos
e brandos sorrisos demos.

Tanta gente, tanta cor,
branco, negro, vermelho, amarelo,
todos diferentes, todos iguais,
em abraços fraternais
seguimos andando,
e por caminhos voando.

Vimos rios, vimos lagos,
montanhas e campos.

Tudo no nosso peito ficou.
Nas mãos uma flor,
nos olhos uma lágrima.

O mundo era azul,
da cor do céu e do mar,
e tudo mergulhou no ar
numa canção,
feita com as mãos e o coração.

E viajámos, viajámos
de mão em mão,
de coração em coração,
de flor, em flor poisámos.

Vimos nuvens brancas,
da cor do algodão
e de novo mergulhámos,
num mundo,
que é de todos nós.

Isabel Cabral

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Sereia

Calado Mateus

O barquito entrou, muito devagar, numa outra gruta, aberta a nascente. Havia um silêncio
estranho qualquer coisa misteriosamente vaporoso, quebrado apenas pelo chapinhar dos remos e pela ondulação que, suave, acariciava os rochedos vermelhos


A gruta distendia-se por duas salas, de cujo tecto, caprichosamente recortado, pendiam algumas colunas, como se fossem dedos finos apontando um verde esmeralda.

E Ti João disse, assim como que a medo de quebrar o silêncio quase religioso

_ Sabes, Zézito, esta gruta também tem uma
história bonita que fala numa sereia encantada. Já ouviste falar em sereias?

_ Já, Ti João _ respondeu o menino._ Mas gostava muito de ouvir a sua história... _ Pois conta-se que uma sereia, chamada Flandres, a mais bonita de todas as sereias

que habitavam os mares das redondezas, ficou um dia tão maravilhada por conhecer esta gruta
que nunca mais na sua vida a pôde esquecer. E então, dizem que no dia 10 de todos os meses, à hora
em que o Sol começa a despedir-se do horizonte, ela vem aqui inundar o céu com as suas canções, canções que se prolongam, renovadas, milagrosamente, todos os dias. E que elas são tão bonitas, tão bonitas, que os pescadores que navegam por aqui perto não podem deixar de suspender a pesca para as escutar... E que as gaivotas deixam os seus voos às voltas e o gralhar barulhento e ficam muito quietas nas rochas ou a planar sobres ondas, para não fazerem barulho... E que os peixes se acomodam no mar e deitam as cabecitas de fora, para também as ouvir.


_ E o Ti João também já alguma vez a ouviu? _ perguntou o Zézito, impressionado com o que ele contara.

O pescador ficou, por momentos, em silêncio e respondeu.


_ Já. É verdade que também já a ouvi, que já a tenho ouvido muitas vezes. Mas nunca a vi.

Nem consta que alguém a tivesse visto alguma vez, a não ser um menino...

_ Um menino?!

_ Sim, um menino que veio uma vez até à ilha montado num golfinho azul cujo dorso brilhava como se fosse de prata e que contou que a sereia tinha longos cabelos negros que lhe caíam até à

cintura, enfeitados de malmequeres brancos e uns olhos castanhos, rasgados, onde brilhavam
estrelas. Ao princípio, é verdade que ninguém acreditou.Mas ele tornou a vê-la muitas vezes. E, de cada vez que tal acontecia, contava sempre que a sereia de cabelos negros que lhe caíam até à

cintura, enfeitados de malmequeres brancos, lhe falava de coisas maravilhosas e lhe cantava cânticos cheios de alegria, mais bonitos,muito mais bonitos que os próprios búzios.



Mariano Calado in "barco de cortiça"(excerto)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A música é de todos


AVE MARIA

HALLELUJAH


Escrevi a verde a cor da esperança.


A música é universal, por isso a dedico a toda a gente, mas hoje especialmente, para uma pessoa que vai precisar mais dela.

Dois meninos com vozes de anjo.

Há dias que estamos mais perto dos anjos, do céu, e das estrelas ,por isso temos mais a sua protecção.

FORÇA

Isabel Cabral

domingo, 16 de novembro de 2008

Gaivota

Gaivota do além mar,
É preciso saber voar,
tu que voas, eu que voo
para onde vamos no final?!

Quero partir antes do temporal,
num voo alucinante,























percorremos oceanos,
águas, bem distantes
e seremos nós, e outros tantos.

Na boca levamos uma flor,
que representa o amor,
e de branco será paz
não voltaremos para trás.

O caminho é sempre em frente,
sempre em frente.

E no voo planaremos
e do mar brotaremos,
nas ondas deslizaremos,
serei onda
serei mar
serei bruma
serei dar.

Num momento serei
aquilo que sempre fui
entre o azul, e o branco
entre a onda e a espuma,
flutuarei, e irei
até meu porto de abrigo.


Isabel Cabral



sábado, 15 de novembro de 2008

Mundo maravilhoso

No dia em que DEUS PINTOU O MUNDO DE TODAS AS CORES

Vivemos num mundo maravilhoso

Façamos de cada dia uma maravilha também

Cultivem a paz

Vivam simplesmente

Amem generosamente

Cuidem-se profundamente

Falem gentilmente

Deixem o resto com o PINTOR!!!!