terça-feira, 22 de abril de 2008

Sabedoria de velho

Ao ler no sábado a portagem do Raul sobre o Holocausto, e a vida de uma mulher chamada Irena
Sendler, de origem polaca que durante a guerra salvou centenas de crianças de morrerem vitimas da Gestapo, fez-me pensar nos mais velhos e na maneira como a sociedade os vê e os trata, recuso-me a chamar-lhes velhinhos porque velhos são os trapos.Quando leio alguma coisa escrita por outra pessoa e fico a pensar, é sinal que a mensagem passou, assim como quando eu escrevo alguma coisa, gosto de tentar passar sempre algo, mesmo que seja algo fictício(o que é raro acontecer porque geralmente tento escrever sobre coisas que se passaram, ou comigo ou com algo que na altura me chamou a atenção.
Ainda neste Natal fomos com o meu pai ao Balela tomar um café, e ao passarmos por alguns sítios fomos bebendo alguns ensinamentos, tanto os filhos, como os netos de coisas que nos passam muitas vezes ao lado e que ele por feitio tenta sempre passar-nos com o seu saber de mais velho.

A imagem "imaginária" que eu tenho, dessas histórias é engraçada, talvez por admirar tanto o mar, é de um velho, com um boné de marinheiro, um grande cachimbo ao canto da boca, rodeado
de crianças, sentadas no chão a ouvirem as suas histórias de encantar, com a sabedoria que só ele tem....
Com as coisas que só ele sabe...
e nos embriaga, e ao fecharmos os olhos vivemos todas essas aventuras verdadeiras, ou não, que
importa...
são simplesmente histórias repletas de grandeza, de emoção de vivências que vão passando de geração em geração através do tempo.
E não me digam que existem pessoas velhas, existem sim, pessoas com mais idade que nos vão
passando testemunhos, que já foram crianças, que já foram jovens e que agora são mais velhos.
A idade é um posto como diriam os meus avós.Ainda bem que Irena vive num asilo rodeada de
flores, talvez as flores que não recebeu na juventude, ou talvez tenha recebido com tudo o que fez. Lembrei-me da minha madrinha (irmã mais velha da minha mãe) que morreu quase aos 90 anos num lar, rodeada de amor, carinho, família, porque também ela viveu para os outros toda a vida.
Espero que todas as pessoas ditas mais velhas consigam viver e morrer com a dignidade que merecem, num asilo, ou não, mas rodeadas de Amor, de Carinho, e perto de um campo de papilas e espigas douradas, para poderem dizer
AGORA SOMOS LIVRES!!!
A MORTE NÃO É O FIM É APENAS UM RECOMEÇO
A estrada continua........

Isabel Cabral

6 comentários:

RENARD disse...

Querida amiga BC:

Que lhe posso dizer?

Se se refere ao meu jeito para escrever no que concerne ao poema "Do I Disappont You" devo dizer-lhe que, com muita pena minha, não é da minha autoria mas dum cantor norte-americano chamado Rufus Wainwright. O meu preferido.
Ao ouvir a música que acompanha esse poema, não pude deixar de pensar no meu pai e a desilusão contínua que este mostra por eu não ser a filha que ele idealizou. Mas as coisas são como são e ele está longe de ser o pai que eu idealizei também. Assim sendo, estamos bem um para ou outro.

De momento encontro-me bastante fragilizada e deprimida o que me leva a escrever textos "pesados" e dolorosos. O que escrevo é exactamente o que penso e sinto. Sempre foi e, mal ou bem, sempre será.
Mas passar das palavras e pensamentos aos actos é um distância que não percorro por respeito à pessoa que merece que lute até ao último suspiro: a minha mãe.

Por isso tentarei, with a little help from my friends, superar, mais uma vez, esta crise que atravesso.

Com muita estima:

Renard

BC disse...

Eu percebi de quem era o poema, embora não conheça,mas referia-me a tudo o resto, eu percebo que estás numa fase má, o que não impede de te dizer que te admiro,e
que gosto muito de ler o que tu escreves, embora te sinta triste é só isso.Mas, sabes que podes contar comigo, nem que seja só com as palavras ok.
O facto de me teres respondido logo,
só demonstra que estás atenta, e eu também estou, podes crer,embora não te conheça pessoalmente,mas apareces-te desde o início e ainda não te foste embora, por isso eu também não vou.
Não estarás sozinha na caminhada.
Beijinhos e uma flor linda para ti!

Raul Martins disse...

Quem dera que todos os idosos conseguissem viver o resto dos seus dias e morrer com dignidade e sobretudo rodeadas de carinho, quem dera!
E os afectos não têm idade. Em todas as idades eles são preciso, mas sobretudo na infância e na velhice.

BC disse...

Infelizmente, eu sei que isto é um sonho, uma utopia, porque eu sei que
isso nunca será possível,a sociedade não está preparada, e as pessoas não se esforçam para mudar um pouco estas situações vergonhosas em que se encontram muitos idosos (a maioria).Também concordo que os afectos não têm idade, todos nós precisamos de afectos, o ser humano é mesmo assim!
Também existem pessoas mais afectuosas e sensíveis que outras...

Viviana disse...

Querida Isabel,

Ainda bem que nos contou tudo isto.Ainda bem que abriu o seu coração e deixou vir até nós,todos estes sentimentos tão belos e ternos que revelam bem quem a Isabel é.

Eu acho que são estas coisas que nós precisamos de ouvir e de ler.

Ontem, quando vim aqui espreitar ainda não estava cá este post. Só hoje dei com ele.

Meu Deus! Quanto carinho eu sinto pelos mais velhos!

Sabe que tenho muitos, muitos amigos idosos?
Gosto imenso de os visitar.
Ainda há dias estive em casa de amiga com 96 anos, alegre, risonha, sempre ben humorada, um bocadinho marota...

Estive longo tempo com as suas mãos nas minhas mãos!
Achei-as tão lindas!

Costumo andar sempre com a máquina digital, mas neste dia, por distracção deixar acabar a carga, e tive imensa pena de a não ter comigo para poder fotografar aquelas mãos tão lindas da minha querida amiga Ludovina... mas se Deus quiser hei-de lá voltar e fotografá-las.

Tenha um bom resto de dia
um abraço
viviana

BC disse...

Obrigada Viviana, mais uma vez , pelos seus comentários, que eu não mereço, tento fazer só algumas coisas que possam estar ao meu alcance, simplesmente, e se as minhas palavras forem lidas com agrado por alguém tanto melhor, fico contente porque não foi em vão
que as escrevi.