
da noite cansada,
deixei de ser areia,
galopei nas rendas com os meus lábios granito.
Cheio de nós de poeira e de neblina
senti um sorriso a colidir no cartão sobre a almofada
quando me vi entre rendas de casar,
malmequer, martírios e limão.
É verdade que eu não estou habituado ao silêncio
que vem das pétalas, ainda que sejam lindas
mas gosto de ver rodar entre os meus olhos
no som e no movimento
colorido dos bilros,
no cântico da renda dos corais,
no grito das gaivotas,
o desenho branco, entrançado,
rendado,
do nosso caminho poeta de açafrão
e o delírio do nascimento de flores
e espuma
dos nossos corpos de renda em ondas tímidas.
Que há rendilhados e música no pólen do açafrão
e, no esplendor dos dias cinzentos
de tempestade,
são as rendas de bilros o bailado.
João Paulo Calado
CADA VEZ ME CONVENÇO MAIS, DE COMO É BOM SER CRIANÇA, OUVIR O SOM DAS GAIVOTAS, MERGULHAR NO MAR, E SORRIR PARA AS ESTRELAS.
E NÃO ME CONVENÇAM DO CONTRÁRIO.
Agradeço ao meu irmão João por este bonito poema que me proporcionou e me deixou publicar.