quarta-feira, 2 de julho de 2008

Teu nome

Na areia teu nome escrevi,
com conchas cor de marfim.
Veio o mar, e não mais as vi.
Rumaram para outro lugar, sim,
para outras viagens, para outras paragens.

Lá longe, outras pessoas,
outras histórias.
Escreveriam outros nomes,
quem sabe igual ao teu,
que já era também meu.
Quis que ficasse gravado,
mas mesmo que fosse levado,
já tinha sido cravado.
Na terra, que foi semente,
e da semente,
que foi flor,
essa flor que nasceu
de um nome,
feito apenas de amor.
E do amor nasceram,
outras flores, outros frutos
que continuaram
sempre a escrever seus nomes
na areia do ser,
apenas um nome escrito,
com conchas cor de marfim.

Isabel Cabral

"RAIVA IMPOSSÍVEL"

Hoje, apetecia-me escrever, escrever,
coreografar o baile de mil e um poemas,
parir mil versos, todos eles prenhes
da minha dor e da minha esperança.

Mas, por meu mal, a dor e a esperança
são já palavras que ressoam frágeis
na força que eu quisera que tivessem.
E é aqui que ferve a minha raiva
pela impotência para me dizer
tudo o que sinto, por palavras outras
que outros não tenham dito alguma vez.
Raiva de não poder ser o que sou,
raiva de ter de ser o que não quero.
Hoje, apetecia-me escrever. escrever....

Mariano Calado

Partir eu sei que vou....
Regressar talvez,
"abrir os braços e poder voar,
como quem era
e sou"
Isabel



















9 comentários:

RENARD disse...

BC:

Compreendo tão bem as palavras do seu pai quando diz que só lhe apetece ecrever, escrever, escrever!!!
Às vezes sinto que me apetece explodir! Destruir-me com palavras! Escrever até deixar de existir!
Parece confuso, sei. Mas é mesmo o que sinto...

Um beijinho

Teresa disse...

Sao 3 horas da manha.
Nao conseguia dormir, entao lembrei-me de ir ao blogue da Isabel. Fiz bem, encontrei o que queria.

Desejo a toda a família uma férias cheias de sol, areia, mar, mas sobretudo alegria para saborear tudo isso.

Em breve também vou para aí. Aí, para mim significa Porto.

Mil sorrisos de um Düsseldorf, onde se sufoca.

Viviana disse...

Tudo muito lindo, Isabel!

È uma maravilha vir aqui.

Obrigada, por todos estes presentes!

Tenha um lindo dia
um beijinho
viviana

1/4 de Fada disse...

Dois poemas lindíssimos. Identifico-me muito com o do teu pai - descobri um texto que escrevi em 75, dentro de um livro de poemas de pablo Neruda... Já nessa altura eu tinha uma enorme sede de escrever!

Sofiiia disse...

Faz me tão bem escrever,
faz me bem poder desabafar,
esteriorizar o que me vai na alma,
sei que ai neste espaço...a que chamamos blogosfera, existe algo, que nos parece entender o que escrevemos.
E Existe sempre alguém que escreve tão bem, que basta ler para nos identificarmos com tais palavras,
hoje posso me sentir triste, mas bastou sair e estar com os meus amigos para me sentir bem novamente, e sentir que o sol do fim do dia, me deu energias para mais um dia.
Felicidades e venho aqui ao seu blogalgumas vezes, e gosto sempre do que leio, venho cá desde que encontru o meu blog...até outro dia

f@ disse...

lindissimos....
beijinhos e bom fim semana

Joana disse...

bonito =)

beijinho.

Fátima André disse...

“Vem partilhar Alimentos do Amor no lugar dos afectos pelo Caminho dos Afectos.”
Graça Gonçalves

Um lugar a não perder:

LUGAR DOS AFECTOS
http://lugardosafectos.blogspot.com/

Um beijinho e continuação de Boas Férias :)

Vanda disse...

Dizem que quem canta seu mal, espanta.


Eu julgo que a quem escreve o mesmo sucede, como se a dor, a saudade, a nostalgia ficasse ali presa naquela nova casa de papel e palavras!


E de areia, tembém.


Um beijo, bom fim de semana!