sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

As flores


Das férteis terras já
Lavradas
As sementes, flores foram
Cultivadas
Eram ímpares, sem igual
Coloridas
De mágicas viriam como as
Fadas
As belas noivas
Enfeitadas
A mulher com suas esguias mãos
Perfumadas
No branco altar à virgem foram
Ofertadas
Num caixão de alguém foram
Colocadas
Nos olhos das crianças foram
Admiradas
Nas mãos do escultor foram
Talhadas
Porque no céu foram
Pintadas
Pelas mãos de Deus foram
Desenhadas
E por Ele nos foram dadas.
E à terra foram
Devolvidas

Isabel Cabral

9 comentários:

FERNANDA & POEMAS disse...

Querida Isabel, maravilhoso poema...S U B L I M E ...
Um grande abraço de carinho,
Fernandinha

Artista Maldito disse...

Olá Isabelita

Volto hoje à normalidade, estive constipada e o fim de ano foi para esquecer, é melhor esquecer.

Li o poema e como sempre é o seu estilo inconfundível.

Amanhã volto com calma, hoje ainda estou meia zonza.

Beijinhos
Isabel

Marta Vasil disse...

Tuas palavras floriram e com elas talhaste um lindo ciclo de vida-morte. Terra... ventre de vida, terra... ventre de morte.

Renasce a flor... morre a flor... Fez-me pensar no ano que passou, no que vem, nos sonhos e desejos que um dia nasceram, que morreram e que agora voltaram a renascer como fonte de esperança para este novo ano.

Beijinhos e bom ano

MV

ematejoca disse...

OPTIMISMO é a palavra chave deste ano, Isabel. Para si e para nós todos. A tristeza nao compensa.

A cabeça da menina no "ematejoca azul" faz parte de um quadro da autoria da minha cunhada Elsbeth!
O pior é, que já tenho saudades da fotografia de Düsseldorf, que tinha antes.

Saudacoes invernais!

Artista Maldito disse...

Obrigada pelo cuidado Isabel, já estou rija. Também já estive mal por causa de uma laranja, dizem que de manhã é ouro, de tarde é prata e à noite mata. Uma indigestão tem esses efeitos, até os músculos afecta.

E agora o poema que não cheguei a comentar. A Isabel consegue reunir os ciclos da vida numa visão duplamente cristã e profana, em que a terra mãe e Deus se associam na representação da vida e da morte. É um processo de construção do real através de uma cadência ordenada.

Beijinhos e as melhoras
Isabel

ematejoca disse...

Também nao cheguei a cometar o poema, porque nao o consegui ler por causa das letras serem muito escuras e o sol bater toda a tarde na minha secretária. Agora, que é noite já o consegui ler.
A interpretacao do Artista Maldito é absolutamente correcta. Acho, no entanto, que a visao é muitíssimo crista e pouco profana.
A imagem foi muito bem escolhida.

Boa noite, Isabel!

Vieira Calado disse...

É assim.


Ano vai, ano vem...

Que este que agora começa


lhe traga muitas alegrias.

Multiolhares disse...

Assim são os ciclos da existencia, tudo tem um inicio e um fim
beijinhos

gaivota disse...

e que linda a existência da vida aqui deixada...
beijinhos