quarta-feira, 18 de junho de 2008

Palavra




Palavra que tudo encerras

Palavra que és vazia

És somente uma palavra

Donde te vem tudo isso

Força, fraqueza

És somente uma palavra

Amor e ódio

Amigo e inimigo

És somente uma palavra

És palavra na caneta do poeta

És palavra na boca do cantor

És somente uma palavra

Constróis e destróis

Crias heróis e os derrotas

És somente uma palavra

Limpa e suja

Sublime e mesquinha

És somemte uma palavra

Choras e ris

Transmites sentimentos

Uns fortes, outros não
És somente uma palavra

Os teus amigos, são palavras

Iguais a ti

Que dançam e brincam

A teu lado

És somente uma palavra

Na boca da criança te constróis

Na do adolescente te revoltas

Na do velho vais sumindo

És somente uma palavra

Connosco nasces, vives e morres

Até ao último suspiro

És somente uma palavra

Donde te vem tanta força

És somente uma palavra

Isabel Cabral

9 comentários:

Fátima André disse...

Vou ficar a meditar... mas que profundidade!
:)

RENARD disse...

Minha querida BC:

Uma palavra, uma pequena composição de letras, pode contruir ou destruir uma pessoa.
Há que as respeitar e tratá-las com o receio que incutem. Quantas vezes fui magoada e magoei por palavras. Toda a violência física que senti na minha vida evapora-se na minha memória. A dor do momento do embate. A humilhação de levar uma chapada. A descrença de me queimarem com um cigarro... Tudo isso é ténue na minha lembrança. Mas as palavras que acompanharam os actos e outras, que de fisicamente violento não tiveram nada, ressoam na minha cabeça como se mas tivessem dito há minutos atrás. E os sentimentos que daí advieram nunca os esquecerei...
Respeitem o poder das palavras... Uma palavra certeira pode salvar uma vida. Mas uma fora de tempo pode acabar com outra.

Um grande beijo para si e cumprimentos ao seu pai

Saudações tribais

Teresa disse...

Após de ler este poema, só posso dizer, que a Isabel é uma poetisa da primeira àgua. Para mim, o seu melhor poema, dos que conheco.
O seu pai deve ter muito orgulho em si, por lhe seguir as pisadas.
Parece que a Isabel escreveu este poema em resposta ao mau entendimento por causa do Obama.
Na verdade, sao tudo só palavras!

Continuo com insonia-
Boa noite.

Maria do Carmo Cruz disse...

Querida Isabel, já foi publicado há coisa de dois meses, aqui, creio que no blogue da Fátima ou no terrear. Mas dedico-te este grito que um dia se me escapou do peito, absolutamente incontrolável:
Eu preciso de palavras novas
Porque estas com que falo e comunico
Estão velhas, sujas e cansadas.
Envelheceram na monótona rotina,
Dos desencantos do nosso dia-a-dia
A dizer coisas tão triviais como ontem, hoje e amanhã,
Tão triviais que nem existem sequer, como sempre e nunca,
Pois ontem já foi hoje e amanhã, e vice-versa, é claro.
Estão sujas, poluídas pelas mentiras com que mascaramos
As falsidades das pontes de contacto.
São elas que servem de lianas e seguram as tábuas
Que nos ligam aos outros
Sobre o vazio da Vida.
Só as limpamos dolorosamente
Na nossa mais profunda intimidade,
Dentro de nós mesmos,
Quando já nos sentimos sufocar,
Como peixes em águas contaminadas
Pelos desperdícios necessários,
Mas que nem por isso perdem a sua condição de lixo.
Mesmo que o rio esteja enfeitados
Com as algas prolíficas,
Verdes mas falsas, que não deixam chegar lá baixo,
A luz do sol que vivifica.
Estão cansadas de serem outra coisa, múltiplas quase sempre,
De funcionarem como flores ou outros ornamentos,
A cobrirem sentimentos frios como a indiferença
Ou a preencher os vazios, aqueles espaços incómodos,
Quando o nosso coração está morto
E já não há mais nada para dizer,
E o silêncio grita e diz da nossa morte e da nossa solidão.
Essas palavras que já não dizem nada, recuso-as.
Quero palavras novas, claras e precisas,
Transparentes e límpidas,
Que não precisem de nenhum dicionário,
Valiosas em si mesmas.
Palavras novas, talhadas na Verdade, como um cristal,
Tão nítidas que nunca ofereçam dúvidas
Nem alimentem segundas intenções.
Então, quando eu disser Amigo,
ou se disser Amor,
ninguém hesitará, nem precisará de pensar duas vezes,
para perceber que eu estou aqui
–e estou, de facto.

Mas se um dia forjar
essas palavras novas
Não será tudo ainda mais difícil?

Maria do Carmo Cruz disse...

Isabel, quando te apetecer, dá um salto às Piruetas. Andei por lá a fazer piruetas para ti. Beijinho da Avó

Raul Martins disse...

A força das palavras!
Belo retrato do poder que eles têm mas também da sua fraqueza.
.
Que as palavras que pronunciamos ou as que escrevemos estejam sempre plenas de sabedoria.
.
Carpe diem!

Teresa disse...

Ai, Raúl, Raúl, que ideais tao altos.

Isabel, hoje as minhas palavras nao sao plenas de sabedoria, mas de nervosismo. Portugal tem de ganhar à Alemanha por 2 a 0.

Isabel, se hoje for ao meu blogue,
esqueca o blogue verde - tenho lá uma música sem grande piada - pedia-lhe antes para ir ao blogue azul. Se ainda nao o descobriu basta fazer clique em: TEMIRA!
Ao lá ir compreende o que eu quero dizer com toda esta ladaínha.
Desejo à sua Mariana muitas felicidades para todos os exames.

Um grande beijinho!

Viviana disse...

Olà Isabel,

Muito belo e rico este seu poema sobre"A palavra".

A palavra é um dom!

Felizes aqueles que a sabem usar para o bem!

Já o Sábio Salomão disse:

"Como maçãs de ouro em salva de prata, assim é a palavra dita a seu tempo."

Tenha um bom entaredecer
um Abraço
Viviana

Batata disse...

Palavras... Saem-nos muitas vezes (demasiadas?) em catadupa, não é verdade?

Obrigada pelos comentários e parabéns pelo blog :)

beijinho

>>>Mariana Silva